segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Pela última vez, não

Os fogos de artifício explodem e mudam a cor do céu.
Pra sempre.

Cada unha minha é uma montanha e meus dentes são tempestades.

Por que você veio aqui? Processe sua vontade.

Ojeriza, amor, amizade.
Fomenta sua loucura, o absurdo é a liberdade.

Corra no escuro, intercale a sanidade.

Sujeite-se, mude-se encontre sua cidade.

Por que não quer mais ver o desejo do presente,
a corrida ao oriente, encontre tua semente.
Socorra sua mente;

Acelere e relembre:
fomos um, não pra sempre.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

“O Jardim Secreto”, um estudo de personagem


Frances Hodgson Burnett, inglesa de Manchester radicada nos Estados Unidos da América nasceu em 1849 e trouxe a luz a obra prima “O Jardim Secreto” em 1911, que virou filme em 1993 nas mãos da diretora Agnieszka Holland, produzido pelo mestre do cinema, ninguém menos que Francis Ford Coppola, com certeza o nome certo para levar uma obra dessa grandeza para as telonas, sob o selo de seu falido e emblemático estúdio independente American Zoetrope.

Burnett, nascida em família pobre, foi mais uma de tantas famílias que deixaram o velho mundo em busca da liberdade na América, onde esperava uma herança de um tio, o que não acabou ocorrendo, restando a escolha de trabalhar com costura e bordado. Morando no Tenessee e passando muitas necessidades, Frances decidiu abrir uma escola onde ensinava a quem quisesse entrar, enquanto escrevia contos, até vender o seu primeiro para uma revista, aos dezessete anos de idade, e em pouco tempo já havia economizado para voltar à Inglaterra, vivendo em ambos os países.

Autora de outros clássicos, como “O Pequeno Lorde” e “A Princesinha”, que também virou filme, Burnett lançou “O Jardim Secreto” em plena belle époque, uma nostálgica era de intenso clima intelectual e artístico antecedente a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Uma época de mudanças, inovações, novas tecnologias, paz, arte e cultura em todos os níveis sociais. Burnett foge de toda a modernidade afluente e buscou escrever um romance pleno de uma vida ao natural, no qual duas crianças com um pesado passado, crianças das quais nada lhe faltavam, encontram sua redenção em um jardim.

Produzido com apurado primor técnico por Francis Ford Coppola, o livro virou filme em 1993.
O cenário é uma imensa mansão, nomeada Mansão Misselthwaite, de mais de cem quartos, como é informado na história, situada num campo em uma “charneca”, um extenso campo verde, com rochas (sendo esse campo, junto com o jardim, um dos personagens centrais do livro), no interior de Yorkshire, o maior condado da Inglaterra. A mansão pertence a Archibald Craven, a autoridade máxima da casa e ausente durante a maior parte do tempo. Aparentemente, para esta família, nada deveria faltar.

A obra é muito completa, e simétrica na composição dos seus personagens, antagônicos, parecem se completar e se contrapor, na medida que mesmo tão opostos, nunca deixam de ser amigos, constituindo uma história singela, não de inimigos, não de brigas ou desafios, mas sim um drama no qual os personagens não tiveram escolha, enfrentam a realidade que a vida propôs à eles, e suas atitudes causaram os resultados.

Temos Medlock, a governanta da mansão, típica linha-dura, age por meio da opressão, impondo toda a sorte de limites às crianças. Dispõe de todo o dinheiro, comida, médicos, autoridade, inda assim não consegue progredir na educação e cura daquele lar. Seu contraponto é Susan Sowerby, mãe de Martha e Dickon (e outros vários filhos). Pobre, humilde e iletrada, mora em um pequeno casebre na charneca onde luta para sustentar e educar todos os filhos, e envolta a tantas dificuldades, é bem sucedida, ao contrário de Medlock. Ambas são muito amigas e se respeitam muito. Há ainda um elo intermediário, Ben Weatherstaff, um jardineiro durão do campo, de coração mole.

Somos apresentados à personagem Mary Lennox: uma menina, que segundo a narrativa, é feia, antipática, mirrada, apática, doente, e não gosta nem se interessa por nada, nem ninguém. Egoísta e egocêntrica, a pequena Mary, de 10 anos, nascida na Índia, época em que era governada pela Grã-Bretanha, perde seus pais pela peste da cólera, fato que obviamente mudará para sempre sua vida, pode-se dizer que a jovem vivia?
Quando Mary Lennox foi trazida para a Mansão Misselthwaite para morar com o tio, todos diziam que ela era a criança mais antipática que eles já tinham visto na vida. E de fato era verdade. Ela tinha um rostinho chupado, um corpinho magricela, e estava sempre de cara amarrada. Seu cabelo era amarelo e seu rosto era amarelo, porque ela havia nascido na Índia e vivia pegando uma doença atrás da outra. (BURNETT, 1911, p. 201).

Ela é a principal protagonista da história durante o primeiro ato do romance, no qual há dois mistérios: o próprio jardim, no qual ninguém tem autoridade de entrar, e o segredo de outro morador da mansão Misselthwaite: Collin Craven.

Filho de Archibald Craven, Collin tem 10 anos, dos quais todos foram passados em um dos vários quartos da mansão. Doente desde sempre, ele nunca saiu da cama, não toma sol, não pratica nenhuma atividade que não reclamar, pedir e chorar. Tão mimado quanto Mary, é insuportavelmente egoísta, mandão e extremamente depressivo. Fala com naturalidade que aguarda a morte a qualquer momento, e que não tem nenhuma esperança de envelhecer, além da certeza de que vai ficar corcunda como o pai. Seu nascimento coincide com a morte da sua mãe, um dos pontos chaves da história, que muda todos os rumos.

O personagem mediador entre Mary e Collin é Dickon. O menino do campo, que mora na Charneca, de família humilde, de poucos recursos, de relacionamento com a natureza e que, ao contrário de ambos, é livre e simplesmente não tem dificuldades nem dramas pessoais. Dickon é como o próprio livro diz, encantador. Ele é realmente encantador, e consegue transpor para a realidade uma história de uma pessoa que tem relacionamento com os animais, e prova que isso não é tolice nem bobagem, e faz tudo isso com extrema naturalidade, méritos da autora.

Archibald, o pai de Collin, entrou em profunda depressão com a morte de sua esposa e simplesmente não se relaciona com o filho, o que causa feridas em ambos os lados. Sem saber como enfrentar a vida, Craven parte em uma jornada de auto-reconhecimento, em busca de respostas, em busca de uma fuga.

É impressionante a habilidade com que Burnett compôs seus personagens, totalmente neutros de quaisquer estereótipos, livres de caricaturas, únicos e diferentes. Aonde esperaríamos, na literatura infantil, uma personagem protagonista descrita como feia e chata? Qual o fundamento dessa originalidade, que acabou dando certo? Possivelmente a não-industrialização da arte e literatura da época. Ainda assim, a trama é simples, mas consegue ser profunda.

Mary, a enfezadinha, como é apelidada na embarcação que a leva à Inglaterra, é o oposto de Collin, em determinados pontos. Vem morar a mansão após a morte dos pais, por não ter aonde morar. É lhe dado um quarto, nada mais. Ela não tem direitos. Ela não tem liberdade, espaço, e não pode exigir nada. Mas sua estadia na velha e misteriosa mansão atiça sua curiosidade, partindo em busca de exploração, que a leva a encontrar o jardim.

Collin, o rajá, como é apelidado por Mary, é tão mimado e esnobe quanto ela, é o senhor da casa quando seu pai não está, e ele nunca está. Com seus ataques de histeria quando não tem suas vontades atendidas, tem total liberdade para fazer o que quiser, mas opta apenas pela reclusão. Nada lhe falta, tudo ele tem, mas nada ele quer. Apenas restringe-se a ficar na cama e cultivar sua hipocondria.

É quando ambos se encontram que tudo passa a mudar: acostumados com a solidão, ninguém da mesma idade, ninguém do próprio sangue, agora presenteado com uma prima que sabe tudo sobre o lado de fora do quarto, com tanto em comum (sofrimentos, ausência dos pais, apatia, desesperança), ambos passam a crescer, se desenvolver, se libertar e, principalmente, construir seu caráter.

Agora que passam a se descobrir, Mary, empenhada no seu objetivo de acordar o jardim que encontrou, fica ligada a Collin, com o mesmo interesse. Todos na casa passam a estranhar as melhoras no comportamento de Collin, até a descoberta do seu contato com Mary. Aí que vem mais um diferencial surpreendente na história de Burnett: Collin não muda seu comportamento, não melhora, não fica dócil, nem bonzinho, apenas por “agora ter um amigo”, não pela “beleza da amizade e do amor”, não, nenhum desses clichês. Collin é forçado a entender e aceitar os outros como seres humanos, e não escravos de sua vontade, a partir do momento que é confrontado e esmagado por sua igual.

Um dos embates entre Mary e Collin é recorrente da ciumeira de Collin quanto a Dickon, apesar de admirá-lo profundamente, como todas as pessoas que conhecem Dickon. Em uma das manhãs Mary deixa de ver Collin para encontrar-se com Dickon no jardim, Collin não tolera passar a manhã solitário, já acostumado com a presença da prima, e desacostumado a penar seus dias sozinho na cama, ao reencontrá-la ameaça proibir a presença de Dickon e forçar a presença de Mary. Tal comportamento foi abordado de maneira interessantíssima no filme como um suposto triângulo amoroso, da maneira mais inocente e bela possível, de acordo com a idade latente em que vivem as crianças.

Acostumado a ter todas as suas ordens devidamente atendidas, Collin é surpreendido com um belo não de Mary, que contraria tudo o que ele quer neste momento, o que nos leva ao “chilique”.

-Você para com isso! Ela quase gritou. “Você para com isso agora! Eu odeio você! Todo mundo odeia você! Eu queria que todo mundo fosse embora desta casa e deixasse você berrar até morrer! Você vai morrer de tanto berrar daqui a pouco, e eu quero mesmo que isso aconteça!” (...) e se você der outro berro, eu vou berrar também (...) e eu consigo berrar bem mais alto que você!”. (BURNETT, 1911, p. 201).

Sendo uma plena lição de que as crianças precisam de limites, e também de liberdade, o que só pode ser dado com pais presentes, somos agraciados com a cena antológica de uma menina que não pode nada e faz tudo educando um menino que pode tudo e não faz nada. De amigos que não iriam longe sem uma boa briga. Frances quebra os paradigmas, escreve uma história infantil com crianças feias e chatas, com morte, briga, e a redenção no final.

É curioso notar que, sendo crianças de família rica, acostumada ao luxo e a ter tudo que poderiam desejar, buscam sua redenção justamente no natural, no que não custa nada. Mais além do que isto, no trabalho! Na tarefa deleitosa da horticultura, no jardim secreto, numa lição de que o campo é melhor que a cidade. E é!

Chegamos ao personagem central. O jardim. O jardim é uma alegoria para as crianças. Abandonado há 10 anos, doente, evitado, trancado, estéril. Como Collin, é a causa de todos os dramas da família, supostamente a causa mortis da Sra. Craven (a autora deixa isso em aberto), e também é, como Mary, a solução desses dramas.

Em essência, o livro é sobre um milagre psicológico: a completa regeneração de duas crianças de dez anos infelizes, autocentradas e absolutamente insuportáveis. Mary Lennox e Colin Craven, as crianças protagonistas, encenam uma sutil versão psicológica do enredo típico de Burnett. Eles recuperam não a riqueza, mas a felicidade natural infantil e a esperança no futuro. (LURIE, 1999, p. 11).

É no jardim que os pais de Collin passaram seus melhores momentos. É lá que a mãe de Collin morre. É ele que trás as lembranças mais felizes e doloridas da vida de Craven. Assim como Collin, é ele que é castigado, bloqueado, por lembrar a senhorita Craven. E com a intromissão de Mary, é ali que Collin encontra sua cura, aprende a andar e esquece os pesares de sua curta vida, almeja “viver para sempre”. Ali reencontra seu pai, que tão martirizado quanto ele, também encontra seu rumo. É ali que Mary deixa de ser espectadora da vida, e passa a ser protagonista dela. Ganha um motivo para esperar o próximo dia, deixa de esperar que a sirvam, a lavem, e passa a sujar as mãos com a terra. E junto às crianças, é o próprio jardim que também ganha sua vida de volta.

O livro é atualmente distribuído pela
editora Companhia das Letras,
 sob o selo  Penguin-Companhia.
Enfim, cada personagem do livro merece destaque, mesmo que não seja humana, o próprio jardim é o maior personagem da história. Frances Hodgson Burnett conseguiu criar uma história fora dos padrões, sem um clímax previsível, sem uma “grande batalha final”, fugindo dos habituais clichês, mesmo ao usar um deles: o do parente próximo que quer se apoderar da herança, é quebrado ao informar que este até gostaria disso, mas não que fosse mover uma unha para tanto. Uma narrativa da rotina, do diário de pessoas que tinham traumas a serem resolvidos, e conseguiram, de maneira poética, poética como a própria escrita de sua autora, O Jardim Secreto é inteiro uma poesia e parafraseando a Mary Lennox do filme de 1993, “se você for ver, o mundo inteiro é um jardim”.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Por que as coisas que só acontecem com gente idiota sempre acontecem comigo?

Hoje uma tragédia shakesperiana:

Para conseguir um troco extra (mentira, extra se estivesse sobrando, mas não tá), ou seja, para conseguir sobreviver, montei e configurei um computador com várias peças que eu tinha sobrando, outras que encontrei, e outras que criei (como um cooler feito com uma hélice e parafusos de dobradiça de porta). Foi criado um Frankeinstein com a placa-mãe e um ijkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkopllllllllll opa foi mal, meu gato pisou no teclado.

Continuando, criei um monstro com partes de diversos pc's que já percorreram a história da informática. Uma placa-mãe de um, um gabinete de outro, um cd-rom daqui, uma placa de vídeo acolá, talvez essa máquina tenha tido peças suas, leitor. Tudo isso por que havia um comprador, um cara que queria "um pc baratinho pra entrar na internet e jogar uns jogo besta".

Após várias tentativas e falhas corrigidas, consegui fazer o Frank (vou chamá-lo assim) ligar e não apagar mais. Instalei todo o sistema, os programas, os drivers de vídeo, som, rede, o Office pirata, o famigerado Internet Explorer 8 e o Google Chrome, além de um emulador de SNES com 2400 roms pro cara ficar feliz. Pago os 500 pila que cobrei por ele o cara levou a máquina faceiro, agora ia poder jogar Top Gear e Bomber Man comendo manteiga delícia com suco de laranja.

Tudo isso pra conseguir um troquinho pra me sustentar e ter um pingo de dignidade, atualmente na minha vida qualquer 30 pila tá fazendo a diferença, e eu ando realmente catando as moedas que encontro no caminho na rua, por que cada centavo desses está colaborando.

Dinheiro fácil? Não. O cara trouxe o Frank de volta, com um par de caixas de som novas, que não funcionaram, e o problema era o PC. Estava tudo certo nele, mas o som não funcionava, não indicava qualquer erro. A solução seria comprar uma placa de som off-board, que custa uns 30 reais, um dinheiro que eu não posso me dar ao luxo de gastar. Tá eu não tenho nem isso. (Prejuízo).

Meu tio, num toque de genialidade, supôs dar um jeito de por o áudio frontal (aquela entrada de som que tem na frente do PC que tu enfia fone de ouvido pra assistir pornô) e ver se funcionava. Achei um gabinete com a peça do áudio fronta, pois o gabinete vendido não possuía um. Liguei na placa-mãe, liguei a caixa de som nele e... FUNCIONOU! Prejuízo 0,  não precisaria comprar uma placa de som!

Ok, certo, tudo funcionando, vou por essa máquina aqui no balcão pra tampar e... PLEFT derrubei a caixa de som novinha do cara no chão e quebrou em mil pedaço já era prejuízo 30 pila ferrou :( .

Este texto faz parte do programa ESCREVER TODOS OS DIAS POR PIOR QUE SEJA O QUE VIER PRA ESCREVER.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Dia de merda; proposta fadada ao fracasso?

Hoje o dia está uma merda, tenho a obrigação de escrever três textos, dos quais normalmente me sentiria a vontade pra escrever mas não sai nada, aliás, tô enganando quem? As ideias tão aqui dentro, mas eu não me sentiria a vontade droga nenhuma.

Foi aí que eu me debrucei e lembrei de um texto idiota que li uma vez com um monte de ideias babacas que discordei completamente mas que dizia algo que me chamou a atenção: o autor dizia que escrevia muito mal mas começou a escrever textos todos os dias durante mais de quatro anos, e com a prática passou a escrever muito bem, na opinião dele próprio, pra mim aquele texto era uma merda também, mas se ele conseguiu escrever com mais facilidade com a prática, talvez eu também consiga.

Aí eu pensei: é isso aí, vou começar a escrever todo dia a partir de amanhã, e assim pegar prática e quem sabe um dia eu tenha uma grande facilidade de escrever como eu almejo mas aí fui atingido por outro golpe da minha mente imbecil: cara tu quer começar a escrever todo dia pra poder ter uma boa prática, por que amanhã? Alguém tá te amarrando? Aí eu comecei a escrever, esse é o primeiro texto da série "vou tentar escrever todos os dias a partir de agora, isso mesmo, eu pensei e já comecei a escrever.

E isso não é da sua conta, só estou escrevendo tudo isso por que me obriguei a escrever qualquer coisa e tudo isso foi o que veio a minha mente, se não gostou vai comer margarina delícia com suco de laranja. Até amanhã.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Considerações sobre The Walking Dead

Chegando na metade da terceira temporada de The Walking Dead chego as seguintes conclusões:

É uma versão de Lost com zombies.

O cotidiano de um grupo sobrevivente a um desastre, a sensação de isolamento, as situações ocasionadas por isso, as disputas por liderança, os romances, a criança, a luta por sobrevivência, o mistério, e agora pintou até um Projeto Dharma.

O melhor de tudo é que a insersão da temática zumbi, oxigenada pela porcaria do filme Resident Evil em 2001, é muito bem vinda, e os roteiristas encaram com seriedade e criam tramas complicadas para os personagens encarar, como o amadurecimento de Carl.

Ainda inclui as birutices de sempre de qualquer produto estado-unidense, como o fanatismo por armas, e mais, mesmo no momento atual e todos as tragédias ocasionadas por isso, insistir descaradamente em colocar armas na mão de uma criança.

Espero que, diferente de Lost, os roteiristas caprichem e não estejam interessados em apenas prolongar a série, o que causou diversas incoerências e vários enredos deixavam de encaixar quando haviam oportunidades perfeitas, o que é possível ocorrer, já que há uma fonte original, os HQ's.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Crítica: 007 - Operação Skyfall (2012)





James Bond chega ao seu 23º filme emplacando 50 anos na história do cinema, continua com fôlego para estar inovando ao que homenageia seu próprio passado, coisa que já fez antes, e mesmo quando não estava em seus melhores momentos e demonstrava sinais de desgaste, ainda assim era divertido e nunca teve sua hegemonia e bilheteria ameaçada.

A série 007 sempre buscou nos sucessos de ação de seu tempo um molde para aplicar sua fórmula. Moonraker (1979) levou Bond ao espaço, inspirando-se em Star Wars (acabou copiando a bilheteria também), Die Another Day (2002) teve um pouco de Matrix nas sequências de ação. Quantum Of Solace (2008) bebe da fonte da franquia Bourne. E agora, numa abordagem mais palpável com objetivo de contar as origens do agente, por que não se inspirar num sucesso de qualidade inegável, embora contestada por muitos, no caso os filmes Batman do cineasta, também inglês, Christopher Nolan?

As semelhanças começam logo que vemos o agente em close, nos primeiros segundos do filme, com visual claramente envelhecido, lembrando Pierce Brosnan em seus últimos momentos como Bond, remetendo ao Bruce Wayne de The Dark Knight Rises (2012), não parando por aí, assim como o homem morcego, Bond também tira umas férias, ao ser atingido por acidente pela própria parceira quando M (Judi Dench) assume o risco para não comprometer a missão. Além disso, temos a fuga do vilão do presídio, bem como o Coringa o fez em The Dark Knight (2008).

Inovações? Dessa vez até a sexualidade do vilão é questionada. Parabéns Bardem.
Falando assim, pode parece até uma cópia, mas longe disso. O melhor do filme é exatamente a maneira como esses artifícios foram usados no universo 007. O roteiro busca desde Cassino Royale (2006) explicar as origens de James Bond e renovar a fórmula. Muitos torceram o nariz para Daniel Craig e toda a renovação que este traz consigo, quando até mesmo a introdução muda em Quantum Of Solace, e quando muitos ficavam em cima do muro, entre reprovar e aprovar as mudanças, entre ficar com o velho ou abraçar o novo, Sam Mendes nos traz um filme em que James Bond discute isso, nos mostrando o velho e o novo na prática, na nossa frente!
Tiroteios mais realistas estão ali (os capangas não entram na frente de James com uma placa escrito “me mate”), perseguição de carro, brigas, nosso agente está mais humano. Diferente daquilo do que víamos, quando o filme era apenas uma diversão, a certeza de que ele já ia apertar um botão mágico e o vilão ia cair num abismo, hoje nós tememos pela integridade física dos personagens. Por mais que saibamos que o agente não vai morrer, o segredo é que os autores fazem espectadores apegar-nos aos coadjuvantes, e colocá-los no limite de risco, assim como em The Dark Knight, temi por M cada minuto como temi por Harvey Dent, e esse medo do risco da morte dos personagens é um artifício abusado no filme.

O futuro e o passado frente a frente.
Mas pra quem ainda é saudosista, o filme resguarda com louvor aqueles momentos que nos lembram os tempos áureos. Ainda tem luta mano-a-mano hollywoodiana que você sabe que não vai dar em nada, Bond briga com capangas num alçapão com dragões em volta, e tem uma luta no bondinho elevada a enésima potência, isso sem mencionar quando chega a vez do Aston Martin (só faltou Sean Connery estar dormindo no banco de trás), os fãs vão se arrepiar.
E qual a explicação para, que apenas no 20º filme esteja sendo levada em consideração começar a contar a origem do herói? Por quê não no primeiro filme? A resposta está no próprio estudo de Skyfall: será que nos tempos antigos o público já não tinha intimidade com o herói, apartir dos livros, item que, pode-se dizer hiperbolicamente, caiu em desuso, como uma caneta que explode? Nos anos 60 a série já era sucesso nos livros e seria cansativo contar tudo desde o começo no cinema, o público já queria ação. Ação essa que, se assistida hoje, parece tediosa para o público atual, ávido por sequências frenéticas, tomadas malucas que às vezes mal dá pra entender o que acontece na tela (Quantum Of Solace). 

Nesse momento, palmas para a produção (Barbara Broccoli) que conduz a série com carinho e sabe colocar as coisas no caminho certo. Neste caso, colocar Sam Mendes no comando, que faz um ótimo trabalho, não fica picotando os momentos de ação, devolve um colorido lindo visto em Cassino Royale, enquadra os personagens numa cena de ação, dá pra admirar o cenário enquanto a coisa acontece. Devo mencionar um capitulo mitológico nas ações furtivas de Bond, quando este segue outro agente por um edifício: é de tirar o fôlego. A cena além de angustiante é linda. Um prédio todo feito de vidro, as paredes transparentes brilham, e há outdoors vivos do lado de fora em neon, e Bond maestralmente fazendo o seu trabalho como se deve fazer, vai até o limite... Bom, vou guardar esse momento pra não estragar a graça. 

Se já foi útil pra missão, caviar é só pra um, e um Bollinger, obrigado.

Para concluir, deve-se dizer que quem for ao cinema vai ver tudo o que pode querer em um filme do 007: ação, tiro, Martini com Vodka, carrões, mulheres lindas, paisagens lindas, corrida contra o tempo, armas, um vilão megalomaníaco, e dessa vez um pouquinho de reflexão e muito mais da história jamais contada de James Bond no cinema.Parabéns pelo cinquentenário. Hora de parar? Não. "James Bond Will Return".

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Crítica: New Super Mario Bros. 2 (Nintendo 3DS)


A impressão que fica de New Super Mario Bros. 2 pra Nintendo 3DS é que o jogo realmente carece um pouco de personalidade. Não há nenhuma novidade implementada, como sempre há de costume em cada jogo novo do encanador. Mario e Luigi aparentam estar em piloto automático. Isso já dá pra notar logo na introdução do jogo, quando eles estão voando pra lá e pra cá, atoa, fazendo sei lá o quê, batendo asas.

Em NSMB. original pra DS o jogo voltava a ser 2D. Isso tornava o jogo no que era antes? Não, o jogo era repleto de novidades, itens novos, modalidades novas, músicas. Você tinha que pegar as 3 moedas em cada fase, liberava novas fases. Em Galaxy, para Wii, nem preciso comentar a questão da gravidade. Agora, quando NSMB migrou para o Wii, mais novidades vieram, a questão do equilíbrio na barra, com o controle, MAIS um item novo (o capacete voador), músicas novas, além do que já devia vir da versão do DS.

Mesmo a série Mario Kart é marcada por inovações, sempre positivas a cada nova versão. O quê dizer de Mario Kart 7? Não há do que reclamar, é o de sempre, com novidades positivas que influem na mecânica do jogo. Me pergunto como conseguiram fazer algo tão incrível, de novo, em tão pouco tempo, com tanta pressão, que foi a crise dos primeiros meses do console.

Mas e agora em New Super Mario Bros 2. o quê veio de novo? Colecionar moedas. O quê você ganha com isso? Nada. Só o fato de saber que pegou 938439 moedas. Músicas? São as mesmas do Wii. Itens? Tem o Mario de ouro, não te dá nenhuma vantagem sobre os inimigos além de coletar mais... Moedas. Inimigos? Estou no quarto mundo e não achei nenhum novo ainda, ou não prestei atenção.

Acho que estão guardando o melhor pra versão do Wii U, e pelo que estão dizendo, é isso mesmo, o que me deixa contente, até porque New Super Mario Bros. 2 é sim um ótimo jogo, afinal, é mais do mesmo, mas mais do mesmo de Mario.

Definitivamente é um bom jogo, a reclamação mesmo fica por conta do tratamento do lançamento no Brasil (podia ser diferente?). Todos estavam animados pela Nintendo entrar no mercado de download dos jogos, todos aguardavam pra ver como ia ser no Brasil. Finalmente games de primeira linha iam sair a um preço justo (perdão ao trocadilho muito cretino). Poisé, o dia chegou e a versão pra download no E-Shop do 3DS saiu custando R$ 149,90.

A versão física do jogo sai por R$ 169,90 e ainda vem com uma moeda
pra colecionar. Narf!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

EU VOU VIVER A DEUS DARÁ!!!

Cansei da sociedade.
Pra quê trabalhar duro mais de 8 horas por dia pra poder viver 2 horas e dormir o resto que te sobra pra acordar novamente cansado para mais uma rotina dura de trabalho? Tudo isso para poder se sustentar? É necessário sustentar a sociedade dos ricos fazendo o jogo sujo deles para que tudo possa avançar? Pagar milhões de impostos, contabilizar tudo em programinhas idiotas?


Preciso sacrificar o meu tempo de vida a cada dia para que na economia global haja fundos para que um japonês invente uma nova tecnologia que permita que uma geladeira acesse a internet?
Precisamos disso?


Por menos que isso há gregos e troianos passando fome. Sério, os gregos estão falindo, e o resto do mundo com uma cara de Seu Barriga dizendo "PAGUE O ALUGUEL". Diabos, não é só perdoar a dívida deles e deixar aquele povo ser feliz? Afinal, você gostaria que perdoassem o que você deve não? Ok, que se dane, não sou economista, mas assim as coisas seriam bem mais fáceis, afinal, pra quê facilitar se dá pra complicar? Pois o tema disso é: buscar a simplicidade da vida.


DIRF, DIPJ, DPVAT, PQP, VTNC, VSF? Todas essas complicações inúteis do inferno que só inventaram simplesmente para complicar a vida que podia ser simples. Pra que tudo isso? Juros, Ano Fiscal, boleto, duplicata, todas palavras que cito por citar, que fazem parte do cotidiano, que não valem nada desde que o ser humano fosse simples, como os animais, que não tem conta no banco mas que encontram o que comer a cada dia.


Cansei. Convido a quem puder me ajudar, ir morar no campo, plantar e comer o que vier da terra, apenas para viver. Água vem do poço, energia elétrica? Já vivemos sem isso. Pela simplicidade da vida, que é certa que tem fim. Morte: a única certeza.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Crítica: S.W.A.T. - Comando Especial (2003)

O ano era 2003 e os Estados Unidos da América precisavam de alguma maneira manifestar seu poderio e supremacia sobre o resto do mundo, pois acabavam de sofrer um duro golpe em um dos seus símbolos econômicos e estava prestes a ingressar em uma guerra sem motivos (embora qualquer guerra não tenha motivo ou razão ou qualquer justificativa) contra o Iraque, apenas um plano do Hitler do século XXI, George Adolf Bush.

E uma das maneiras foi naquilo em que esta nação é especialista: o cinema. Um projeto da absolutamente comercial Columbia Pictures (da Sony) que consistia em um filme baseado na série homônima dos anos '80, que foi cancelada por excesso de violência. A série, como o próprio nome diz era sobre a equipe (melhor do mundo, segundo o filme) de elite do departamento de polícia de Los Angeles. S.W.A.T. (Special Weapons And Tatics) "Armas Especiais e Táticas".

O filme começa com uma equipe sendo chamada para impedir um assalto a banco em seu pleno andamento. Durante o resgate um dos integrantes da equipe, Brian Gamble (Jeremy Renner, de Guerra ao Terror), decide em questão de milésimos de segundos (como devem ser as atitudes de um membro da equipe numa situação de risco) disparar em um alvo, o acertando, porém atingindo também um refém. Não que o colocasse em qualquer risco de vida ou invalidez, mas o suficiente para gerar incomodações à corporação e ao Estado, no que esta vítima o processaria.

Daí conhecemos os personagens principais: o já citado Gamble e no que o filme tenta mostrar desde o começo ser seu amigo há muito tempo, Jim Street, (Colin Farrel, de Por Um Fio). Após o acontecido, são chamados por seu superior para reportarem o ocorrido, e o julgamento é dos mais hollywoodianos: o bonitinho fica e o feioso sai. Por este incidente, Gamble, não aceita e decide abandonar de vez a corporação e briga com Street por este não o acompanhar e decidir ficar, mesmo que rebaixado. Na discussão dos dois fica evidente a fragilidade do roteiro, decidido a qualquer custo mostrar que Gamble é muito malvado desde sempre e Street é o mocinho. Mocinho que logo retorna a equipe, com a entrada do Sargento Hondo, interpretado por Samuel L. Jackson. O veterano começa a montar uma nova equipe, onde também entram em cena também outros personagens, das quais apenas destaco Sanchez (Michelle Rodriguez fazendo o mesmo papel de Velozes e Furiosos, Resident Evil, Lost, ou qualquer outro que ela tenha feito, é sempre o mesmo),  personagem que, como todos os outros, não faz diferença nenhuma na história, como os mesmos membros de equipe caricatos e clichê de sempre: o fortão, o traíra, a gostosa, o bom moço, o paizão.

Após algumas missões bem sucedidas desta nova equipe, apenas para empolgar a platéia, surge o desafio que os ocupará até o final do filme. Alex Montel (Olivier Martinez, Infidelidade),  um mafioso bilionário procurado em mais de dez países, incluindo os Estados Unidos, decide ir pessoalmente até lá (notem a fragilidade do roteiro) para matar seu tio. Por quê um chefe de máfia, tão procurado, cruzaria o oceano, sozinho, apenas para fazer algo que um capanga poderia fazer? E ainda por cima é preso por dirigir com o farol apagado! Tudo se complica quando ele oferece via imprensa 100 milhões de dólares para qualquer um que o tirar de lá, aí entra a S.W.A.T., com musiquinha retrô e tudo.

Nem adianta tentar de novo Osama. Na próxima a gente te pega.
Após várias seqüências de ação com muito tiroteio, armas legais, explosões, aquele cara que desde o começo o roteiro já deixou bem claro que era mal e que ia voltar, ele mesmo, Gamble se une a Alex e o desfecho é uma empolgante corrida em busca do vilão e uma disputa entre os dois que antes eram amigos. Seguindo o manual hollywoodiano, o duelo final tem que ser no mano a mano, quando, após desarmar o seu inimigo, o mocinho também dispensa armas e vai de igual pra igual naquela lutinha que todo mundo sabe que só termina quando um é mais esperto que o outro e "puxa seu tapete" de alguma forma, como em Dia de Treinamento.

O filme ainda se dá o direito de arriscar uma crítica social, nem perto do que foi o nacional, e infinitamente superior "Tropa de Elite", em uma cena em que um policial negro prende um foragido negro, e uma mulher negra o repreende com algo como "-Isso mesmo! Prendendo o nosso irmão!", e o filme não pratica qualquer recurso pra dar um objetivo ou resposta do porquê daquilo.

O resultado final é apenas uma propaganda, que na época enganou muito bem, mas que pode sim ser uma boa diversão pipoca pra quem gosta de filme policial, tiroteio, armas, explosões, e a bela paisagem que é Los Angeles.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Desculpa esfarrapada

Quase 3 semanas parado, mas não há problema já que ninguém lê mesmo, mesmo assim venho me desculpar, estou escrevendo meu trabalho de conclusão do curso e as coisas estão corridas, e também não tenho tido muito assunto. Ontem foi meu aniversário e não há nenhuma novidade a se contar ou comentar além disso. Breve mais algumas lamentações em futuros textos.

Por hora, fiquem com essa imagem, a foto da coisa mais limpa, pura, bela, transparente e verdadeira, na (verdade a única por lá) encontrada nos últimos 60 anos em Brasília.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 (2011)



O grande final. Chega ao fim uma das maiores séries já concebida pelo cinema. A bilionária saga de Harry Potter, trazida até nós pela Warner, um dos mais bem sucedidos estúdios que na década passada nos trouxe a impecável triologia O Senhor dos Anéis e o sucesso de bilheteria Matrix, aposenta agora sua última galinha dos ovos de ouro. Vamos ter que aprender a viver sem aguardar a cada ano um novo capítulo da história. A história, que de um jeito ou de outro me conquistou, chega ao fim, da melhor maneira possível, quando corajosamente a autora, a britânica J.K. Rowling conseguiu nos fazer acreditar até o fim que tudo era possível, até mesmo a morte do herói.

Tudo começou no longínquo ano de 2001, quando Chris Columbus (Esqueçeram de Mim, 1990), pelo seu dom em ministrar atores infantis, foi o escolhido para dirigir “Harry Potter e a Pedra Filosofal” saído do livro homônimo escrito em 1997. A produção foi realizada com muito cuidado, criando toda a mitologia na tela, os cenários detalhados, conforme as extensas (e um tanto massantes) descrições descritas no livro, o original esporte “quadribol”, efeitos na medida e muita aventura e mistério, acertando em cheio ao chamar o compositor John Willians que, como sempre, criou a trilha marcante que ao ouvir as primeiras notas já sabemos de que filme se trata. Chris Columbus manteve a mesma qualidade no que é o meu filme favorito da série, “Harry Potter e a Câmara Secreta” (2002), que expande a mitologia, revela segredos e torna mais densa e profunda a relação herói-vilão da série. Em 2003, Alfonso Cuarón deixa sua marca dirigindo “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” no que foi a bilheteria mais fraca (não significa que foi pouco), introduzindo excelentes idéias não presentes no livro, mas retirando algumas partes importantes, numa tentativa da produção de enxugar o roteiro, mesmo assim o filme tem muita qualidade e apresenta Gary Oldman no interessantíssimo Sirius Black, o prisioneiro de Azkaban, a prisão dos bruxos. “Harry Potter e o Cálice de Fogo”: o bruxinho cresceu! Mike Newell assina a direção deste quarto filme, que contrasta o amadurecimento dos personagens, e a frieza da autora a matar um deles. David Yates assume apartir de 2007 e dirige a série até seu final, “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, o mais fraco episódio, o sombrio “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” (2009), e a preparação para o arrebatador final “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” (2010). Eis que chegamos em Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2.

 “Não vamos fazer nenhum plano. Toda vez que fizemos não saiu como o planejado”

Direto ao ponto, o filme continua da onde parou, de maneira corrida, e o trio Harry (Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) invade corajosamente Gringots, o banco dos bruxos, buscando mais uma das sete horcruxes, um artefato caminho para a vitória sobre Lord Voldemort (Ralph Fiennes). Eis o ponto alto do filme. Harry agora está mais corajoso que nunca, e dá a cara a tapa, enfrenta Snape, Voldemort e quem mais for, tememos a cada momento pela vida de nossos heróis, nunca antes tão expostos e frágeis, vemos que o Voldemort não está para brincadeira, e muitos dos personagens que estávamos acostumados a ver interagindo na tela, aparecem mortos, são assassinados friamente, sem cerimônias. Mesmo a tão segura Hogwarts é impiedosamente punida, sendo cenário de uma batalha. Sentimos os perigos quando aquela que no primeiro filme foi considerada “o único lugar mais seguro que Gringots” por Ragrid (Robbie Coltrane). Pois bem, vemos os dois sendo destruídos. A aventura é de primeira, e é realmente muito divertido acompanhar o suspense e o medo de cada investida do trio em busca dos objetivos, e além de tudo, o lado cômico do filme está impecável, no momento certo sempre há uma frase, uma atitude engraçada, ou uma referência a algum momento anterior que nos arranca sinceros sorrisos do rosto, mantendo a alegria a cada momento do filme, por mais momentos sérios e profundos que hajam durante a projeção. Assim vale mesmo a pena ir ao cinema.

Voldemort, o lorde das trevas, firma-se mesmo com um dos mais cruéis e temíveis vilões do cinema, o qual temia-se até mesmo pronunciar o nome. A história contada acerta ao deixar muito do seu passado no esquecimento. Toda vez que sabemos de suas proezas, é algum flashback, alguma lembrança, algo contado, deixando sempre a sensação de que ainda não sabemos de tudo que ele fez, e nem saberemos. E realmente sua crueldade não tem limites. Em certo ponto do filme, Voldemort está tão irritado que assassina um de seus capangas simplesmente por lhe dirigir a palavra. Severus Snape (Allan Rickman) mais uma vez retorna interessante, personagem o qual nunca sabemos de que lado está. Sempre tão fiel, mas ao mesmo tempo tão traidor, agora ficamos sabemos de laços profundos dele com Harry.

Como em Toy Story 3 (2010), um grande acerto da produção foi a série foi acompanhar o envelhecimento de seu público. A história de Toy Story (1995) era voltada pra crianças, assim como Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001). Já Toy Story 3 foi feita nos padrões do presente daquelas mesmas crianças de 1995, hoje na faculdade, no trabalho, como Andy. Bem como Harry Potter e As Relíquias da Morte não é um filme para crianças. A classificação etária é de 14 anos, fosse assim em 2001 a série teria sido um fracasso. Mesmo assim, ainda há diversão para todas as idades, assim como romances, tão esperados, e talvez um pouco atrasados, mas considero que vieram no tempo certo, antes disso teria se tornado um mero melodrama para adolescentes.

Um dos pontos em que o filme deixa a desejar é um desenvolvimento maior dos coadjuvantes e, assim como em “O Enigma do Príncipe”, o pós-final. É pouco detalhado o destino que cada um dos tão amados personagens que tiveram nossa atenção nos últimos 10 anos, mas isso realmente tornaria a duração extensa demais. Mesmo assim ao final da projeção ainda fica nos reservado a sensação de que, assistindo novamente, é possível interpretar certos pontos e descobrir alguns segredos. A autora acerta novamente ao fugir do óbvio, o final em nenhum momento foi previsível. Até o último momento não tínhamos certeza se Harry iria ou não sobreviver, pois sim, J.K. Rowling era sim capaz de matá-lo.

De qualquer forma, um ótimo nível foi mantido a cada episódio, chegando viva a este último capítulo, que acabou sendo o melhor deles. As inserções de flashbacks são de arrepiar, e é de se parabenizar a produção. Momentos em que Harry era um bebê parecem terem sido filmados há 10 anos atrás, junto com “A Pedra Filosofal”, bem como a beleza da construção da paixão de Snape por Lilian Potter, a mãe de Harry. Assim também os efeitos visuais em raríssimos momentos deram na vista. Pudera, mais de oito empresas de efeitos de computação trabalharam no desenvolvimento. Destaque para o dragão branco, guarda de Gringots, que parecia real.

O resultado final é de que sim, valeu a pena. Não pude acompanhar Star Wars nem Indiana Jones, minhas séries favoritas, mas posso dizer que vivi, sofri e torci até o final pela luta contra aquele que não deve ser nomeado. A série de minha geração, tem um final que faz toda e qualquer falha anterior ser superada. Não é o melhor filme já feito. Nem é um filme perfeito, tem sim seus defeitos, mas pela experiência que me fez sentir e pela diversão proporcionada, valeu cada momento e posso afirmar que, pela emoção de aplaudir cada vitória conquistada na tela, foi a melhor sessão de cinema que já presenciei.


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Clarisse

"Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Não existe nada p'rá mim, nem tente
Você não sabe nada e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar p'rá casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta da esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo resistir
E voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem quatorze anos."

O que dizer quando Renato Russo já disse tudo?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A deliciosa violência urbana

Fui testemunha de assassinatos na semana passada.
Foi uma aventura e tanto, nem sei por onde começo a contar, o melhor é começar pelo começo.

Estava eu a trabalhar quando meu chefe me incumbiu a missão de realizar uns pagamentos no banco Banrisul. Fui com uma gorda quantia em dinheiro e as contas a serem pagas num envelope. Após alguns minutos na fila, a missão havia sido concluída com sucesso. Me dirigi à saída para voltar ao trabalho, quando na porta da entrada uma senhora comentou assustada:

"-Nossa deu uns 10 tiro lá atrás, socorro que que é isso?!!"

3 horas da tarde, o sol brilhava embora estivesse bem frio em Porto Alegre. 2 opções: voltar ao trabalho pela direita ou ir ver o tiroteio, pela esquerda.

Claro, fui ver o tiroteio, saí correndo pra perto do tumulto, foi então que passei por um círculo de pessoas, entrei no bolinho, e vi que havia um rapaz tranquilo sentado no asfalto da avenida Assis Brasil e resolvi perguntar a ele o que havia acontecido, mas ele não pôde responder por que estava com o peito cheio de furos de bala. O parceiro dele estava deitado no chão, as pernas tremendo como quem tem um ataque epilético, e ele inútilmente se arrastava em direção a calçada. Pergunto-me: aonde ele queria ir? Havia um círculo de policiais o cercando (uns 30 no mímino) e mais um helicóptero sobrevoando o local com um atirador. Aí os tiras nos enxotaram e mandaram se afastar.

O bandido estava sentado, escorado no carro vermelho.
Fiquei a 1 metro dele. O outro estava deitado no chão.
O ocorrido é que uma mulher saiu do Banco, os dois tentaram assaltá-la, um policial a paisana viu e atirou neles, um terceiro que estava na retaguarda acertou o policial pelas costas.


Foi bem interessante minha experiência, ver alguém morrendo de perto, o assaltante estava amarelo, de olhos abertos, tentando respirar. Gostaria de saber o que ele estaria pensando. O que ele gostaria de estar fazendo naquele momento... E o outro que se arrastava. Aonde ele pretendia ir? No hospital? Se ele se arrastasse certamente morreria antes de chegar. Mesmo que não estivesse naquele estado, a pé, seria 20 minutos de caminhada. A melhor opção era esperar pela ambulância, que vinha bem devagar. Enquanto isso ele escutava alguns recadinhos dos tiras enquanto tomava uns chutes bem dados de coturno. Quando a ambulância chegou foi cômico.

Após uns 15 minutos fuçando nele, os enfermeiros o colocaram na maca e saíram na ambulância em direção ao hospital. Que conste que ela parou na faixa de segurança para os pedestres atravessarem a rua, e parou no sinal vermelho também, tudo isso respeitando o limite de velocidade. Lei é lei. Se os bandidinhos tivessem cumprido a lei, não estariam violados a chumbo dependendo de socorro urgente.

Porque o ser humano é tão curioso? Todos querendo ver sangue, todos aflitos e arriscando a pele, e arriscando também tomar uns sopapos dos tiras, tudo pra ver os vermes ali definhando. Incluindo eu é claro.
Nesse ponto que me pergunto, por que os noticiários exibem notícias tão inúteis desse tipo? Por que precisam noticiar "acidente de carro mata 6", "assalto a mão armada mata mãe de família", "sequestradores matam vítima". O QUE É QUE NÓS PODEMOS FAZER??? Um redator da imprensa disse certa vez ao discursar na sala de aula de um amigo meu que notícias felizes não dão audiência. Só as violentas. Tem público.

Já tinha visto no meu bairro (que é bem violento) alguns viciados serem mortos por dívidas de tráfico. Pode ser um tanto revigorante isso, você se sente superior. Me senti superior essa semana. Explico porquê: é pelo fato de você poder agradecer pelo menos uma coisa. O fato de você estar no lado claro da Força. Ter escolhido o certo. O bem. Tem idiota no mundo a ponto de dizer que não existe o bem e o mal, e tentar explicar com teorias imbecis do tipo teoria das cordas, niilismo, o diabo a quatro, nem quero saber. Mas aposto que eles não gostariam de ser assaltados, que o estuprassem, e invadisse sua casa. Isso é ruim né? OK, então o bem e o mal existem. Mas aqueles imbecis escolheram, ao invés de trabalhar, ir tirar de quem trabalhou, por meio da violência gratuita. Tiveram o que mereciam, e ali no asfalto com areia e sangue, já não havia mais volta.

Fiquei imaginando. Como deve ser o último dia de vida? Me coloquei no lugar deles. Teriam acordado, decidido que iam cometer uns crimes e na certezinha que a noite iam estar em casa com o bolso forradinho de dinheiro que não era deles, talvez consumindo algumas drogas. O que será que pensaram no momento em que sentiram aquela mordida no corpo do chumbo entrando? O que pensavam quando estavam no chão agonizando? Ouvindo xingamentos de todos os lados, apanhando sem poder se defender. Bem feito, foi o que fizeram covardemente à senhora que iam assaltar. Será que cogitavam o risco de dar errado?

Hoje é o último dia do resto de nossas vidas. Até que seja o dia da nossa morte. Espero que a morte seja a última coisa que aconteça na minha vida. O que importa é morrer com saúde.


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Um dia perfeito jogado fora



Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Hoje faz 5°C. Muita ventania.

As árvores balançam, as folhas caem. As calçadas são varridas. As sacolas e embalagens de porcarias que os seres nojentos que habitam esse maravilhoso e maltratado planeta voam por aí. Algum débil mental deve estar com uma câmera portátil filmando isso. Eu queria ser ele.

Se você sair na rua vai sentir seu ouvido zunindo, de dentro de casa você ouve os sons vibrando e a sensação é que algo está diferente no ar. O céu está escuro, o vento esparsa as nuvens e no horizonte você vê um lindo céu de baunilha, com tons azulados, e nas linhas que cortam a fronteira entre nuvem e céu, há um esplêndido brilho de cores rosas, laranjas e vermelhos.


Tudo fica mais surreal quando você está embaixo de um céu nublado, onde tudo está escuro pela falta de Sol, mas se pode ver no horizonte a luz tentando invadir a planície e causando esse efeito maravilhoso.

É difícil encontrar palavras pra descrever a sensação de estar num ambiente assim.

É um dos dias mais lindos do ano.

Um dia perfeito para:


  • Namorar;
  • Jogar videogame;
  • Ouvir música melódica;
  • Assistir um filme com tema revigorante;
  • Subir no telhado, admirar e refletir;
  • Fingir que se está em 1794 e você é Barry Lyndon;
  • Conversar com Deus.
Mas hoje é segunda feira. Coisas que eu vou fazer:

  • Trabalhar.

Nada de telhado, música, videogame, nem tenho namorada, então, vamos lá ficar 12 horas trancado em uma sala.

Sociedade contemporânea, jogando fora a vida apartir de os 6 anos de idade.

domingo, 26 de junho de 2011

Tolas canções de amor

Esse sentimento que não é fabricado em série e nunca é vendido em partes iguais. Um sempre acaba sendo mais pesado que o outro. 21 anos e ainda não vi o amor ser do mesmo tamanho para dois amantes. Alguém sempre acaba amando mais que o outro. 21 anos, e acho que nem mesmo vi o amor. Isso ainda existe?

Essa palavra fora de moda que te faz de idiota, te faz de bobo. Você acorda de madrugada pensando naquele doce momento que nunca existiu. E que nem vai existir, enquanto sua desejada está em transe, repousando eternamente na felicidade de não precisar de você.

E é possível crer que ainda escrevam bobas canções de amor?

"você deve pensar que as pessoas já têm canções bobas de
amor suficientes
Mas eu olho a minha volta e vejo que não é assim
Algumas pessoas querem encher o mundo de canções bobas
de amor
O que há de errado nisso?
Eu gostaria de saber, por que aqui vou eu de novo!
eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo"


Silly Love Songs (Paul McCartney)

Lá vou eu de novo?

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Crítica: Sociedade dos Poetas Mortos (1989)


O diretor Peter Weir, de genialidades como “Show de Truman” (The Truman Show, 1998), opta por não subjulgar a capacidade do espectador, ao não lançar na tela dados como data e localidade, está tudo nas entrelinhas, basta um pouco de atenção, e veremos em diálogos como "-Há 100 anos, em 1859..." para poder entender que a história se passa entre o fim dos anos '50 e o início dos anos '60, em um colégio interno para garotos, onde o conservadorismo, o machismo e outros ismos imperavam na américa.

Nesta linha do conservadorismo, em certo ponto do filme, um dos personagens luta por suas escolhas na vida, assunto no qual o pai linha-dura sempre acaba se impondo. O espectador pode perguntar "e a mãe, que lado toma nesta luta?". A resposta é: nenhum! Que direito tinham as mulheres naquela época? E podemos ver isso claramente quando, a primeira vez que vemos a mãe do garoto em cena, ela está simplesmente chorando, sem sequer ter tentado convencer o pai, ou consolar o filho.

Já outro personagem, sempre quieto e temeroso, tentando ao máximo manter distância de qualquer coisa "anormal" em sua conduta no colégio, mostra-nos outra boa escolha do diretor. A princípio podemos dizer: "ah... O velho clichê do garoto pobre que não quer perder a bolsa". Mas não. Unicamente é um garoto tímido que mal tem coragem de ler em público, apesar de aparentar ser poeta, ao tentar esconder suas literaturas do colega brincalhão.

O filme acaba de maneira muito realista. Fugindo dos padrões atuais de cinema, onde o objetivo normalmente é agradar os egos de quem o assiste, para que o diga "nossa, que belo filme!", nesta obra de '94, onde o personagem central John Keating, (Robin Willians, de Jumanji, 1995), um professor a frente de seu tempo, com métodos não convencionais de ensino (talvez fonte de inspiração para Escritores da Liberdade, 2007) vem com o objetivo de mostrar novos valores às vidas destes estudantes, num momento em que seguem a dura rotina de estudar, estudar e estudar, se formar e ser o que agradar o papai e a mamãe, de modo assim, jamais vivendo a vida. "Carpe Diem". Do latim, “Aproveite o dia”, é o lema ensinado por Keating, que aos poucos influencia aqueles alunos, que passam a arriscar mais, querer mais e viver mais. Aproveitar mais. "Carpe...".

A Sociedade dos Poetas Mortos era o ponto de escape daquelas almas aprisionadas no tédio do cotidiano, sociedade oriunda dos tempos em que John foi aluno daquele mesmo colégio, provavelmente tentando se libertar. Liberdade é tudo o que os jovens procuram, e por quê sempre acabam perdendo isso ao atingir a idade adulta?
Mas porquê o final é realista?
Experimente dizer ao seu chefe que não irá trabalhar hoje por que, afinal, não tem nada pra fazer no escritório hoje mesmo... (E realmente não tendo!); você receberá um aviso prévio e logo não precisará trabalhar dia nenhum! O correto seria ir para o escritório, fingir que está fazendo algo até o final do dia, e chegar em casa cansado, e no dia seguinte, desgastado para as tarefas que virão.

E assim o mundo continua, a hipocrisia impera, mudaram as estações, mas nada mudou. Se você tentar mudar a rotina, o rumo pode tomar proporções fatais, assim como apresentado neste "Sociedade dos Poetas Mortos" e em "Beleza Americana", 1999. Você deve não viver, e sim funcionar. Seguir os padrões, mostrar lá fora o quê você não é e nunca alcançar o que realmente almeja para a sua vida.

Ou então, fazer o que realmente quer, dar um belo dane-se para a hipocrisia, e ver no quê isso vai resultar.

Carpe Diem!

Originalmente postado no site Cineplayers.

Um dia desses eu vou me orgazinar.


Tá aqui um cara que se cansou de todo esse lixo.
Disposto a se livrar de todas as porcarias que sujam minha mente e meu corpo, mas infelizmente um cara que não termina nada que começa, e que tem o dom de fazer as coisas do jeito errado, sabendo que está errado.

Um dia eu vou ser orgazinado.