segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Crítica: 007 - Operação Skyfall (2012)





James Bond chega ao seu 23º filme emplacando 50 anos na história do cinema, continua com fôlego para estar inovando ao que homenageia seu próprio passado, coisa que já fez antes, e mesmo quando não estava em seus melhores momentos e demonstrava sinais de desgaste, ainda assim era divertido e nunca teve sua hegemonia e bilheteria ameaçada.

A série 007 sempre buscou nos sucessos de ação de seu tempo um molde para aplicar sua fórmula. Moonraker (1979) levou Bond ao espaço, inspirando-se em Star Wars (acabou copiando a bilheteria também), Die Another Day (2002) teve um pouco de Matrix nas sequências de ação. Quantum Of Solace (2008) bebe da fonte da franquia Bourne. E agora, numa abordagem mais palpável com objetivo de contar as origens do agente, por que não se inspirar num sucesso de qualidade inegável, embora contestada por muitos, no caso os filmes Batman do cineasta, também inglês, Christopher Nolan?

As semelhanças começam logo que vemos o agente em close, nos primeiros segundos do filme, com visual claramente envelhecido, lembrando Pierce Brosnan em seus últimos momentos como Bond, remetendo ao Bruce Wayne de The Dark Knight Rises (2012), não parando por aí, assim como o homem morcego, Bond também tira umas férias, ao ser atingido por acidente pela própria parceira quando M (Judi Dench) assume o risco para não comprometer a missão. Além disso, temos a fuga do vilão do presídio, bem como o Coringa o fez em The Dark Knight (2008).

Inovações? Dessa vez até a sexualidade do vilão é questionada. Parabéns Bardem.
Falando assim, pode parece até uma cópia, mas longe disso. O melhor do filme é exatamente a maneira como esses artifícios foram usados no universo 007. O roteiro busca desde Cassino Royale (2006) explicar as origens de James Bond e renovar a fórmula. Muitos torceram o nariz para Daniel Craig e toda a renovação que este traz consigo, quando até mesmo a introdução muda em Quantum Of Solace, e quando muitos ficavam em cima do muro, entre reprovar e aprovar as mudanças, entre ficar com o velho ou abraçar o novo, Sam Mendes nos traz um filme em que James Bond discute isso, nos mostrando o velho e o novo na prática, na nossa frente!
Tiroteios mais realistas estão ali (os capangas não entram na frente de James com uma placa escrito “me mate”), perseguição de carro, brigas, nosso agente está mais humano. Diferente daquilo do que víamos, quando o filme era apenas uma diversão, a certeza de que ele já ia apertar um botão mágico e o vilão ia cair num abismo, hoje nós tememos pela integridade física dos personagens. Por mais que saibamos que o agente não vai morrer, o segredo é que os autores fazem espectadores apegar-nos aos coadjuvantes, e colocá-los no limite de risco, assim como em The Dark Knight, temi por M cada minuto como temi por Harvey Dent, e esse medo do risco da morte dos personagens é um artifício abusado no filme.

O futuro e o passado frente a frente.
Mas pra quem ainda é saudosista, o filme resguarda com louvor aqueles momentos que nos lembram os tempos áureos. Ainda tem luta mano-a-mano hollywoodiana que você sabe que não vai dar em nada, Bond briga com capangas num alçapão com dragões em volta, e tem uma luta no bondinho elevada a enésima potência, isso sem mencionar quando chega a vez do Aston Martin (só faltou Sean Connery estar dormindo no banco de trás), os fãs vão se arrepiar.
E qual a explicação para, que apenas no 20º filme esteja sendo levada em consideração começar a contar a origem do herói? Por quê não no primeiro filme? A resposta está no próprio estudo de Skyfall: será que nos tempos antigos o público já não tinha intimidade com o herói, apartir dos livros, item que, pode-se dizer hiperbolicamente, caiu em desuso, como uma caneta que explode? Nos anos 60 a série já era sucesso nos livros e seria cansativo contar tudo desde o começo no cinema, o público já queria ação. Ação essa que, se assistida hoje, parece tediosa para o público atual, ávido por sequências frenéticas, tomadas malucas que às vezes mal dá pra entender o que acontece na tela (Quantum Of Solace). 

Nesse momento, palmas para a produção (Barbara Broccoli) que conduz a série com carinho e sabe colocar as coisas no caminho certo. Neste caso, colocar Sam Mendes no comando, que faz um ótimo trabalho, não fica picotando os momentos de ação, devolve um colorido lindo visto em Cassino Royale, enquadra os personagens numa cena de ação, dá pra admirar o cenário enquanto a coisa acontece. Devo mencionar um capitulo mitológico nas ações furtivas de Bond, quando este segue outro agente por um edifício: é de tirar o fôlego. A cena além de angustiante é linda. Um prédio todo feito de vidro, as paredes transparentes brilham, e há outdoors vivos do lado de fora em neon, e Bond maestralmente fazendo o seu trabalho como se deve fazer, vai até o limite... Bom, vou guardar esse momento pra não estragar a graça. 

Se já foi útil pra missão, caviar é só pra um, e um Bollinger, obrigado.

Para concluir, deve-se dizer que quem for ao cinema vai ver tudo o que pode querer em um filme do 007: ação, tiro, Martini com Vodka, carrões, mulheres lindas, paisagens lindas, corrida contra o tempo, armas, um vilão megalomaníaco, e dessa vez um pouquinho de reflexão e muito mais da história jamais contada de James Bond no cinema.Parabéns pelo cinquentenário. Hora de parar? Não. "James Bond Will Return".

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Crítica: New Super Mario Bros. 2 (Nintendo 3DS)


A impressão que fica de New Super Mario Bros. 2 pra Nintendo 3DS é que o jogo realmente carece um pouco de personalidade. Não há nenhuma novidade implementada, como sempre há de costume em cada jogo novo do encanador. Mario e Luigi aparentam estar em piloto automático. Isso já dá pra notar logo na introdução do jogo, quando eles estão voando pra lá e pra cá, atoa, fazendo sei lá o quê, batendo asas.

Em NSMB. original pra DS o jogo voltava a ser 2D. Isso tornava o jogo no que era antes? Não, o jogo era repleto de novidades, itens novos, modalidades novas, músicas. Você tinha que pegar as 3 moedas em cada fase, liberava novas fases. Em Galaxy, para Wii, nem preciso comentar a questão da gravidade. Agora, quando NSMB migrou para o Wii, mais novidades vieram, a questão do equilíbrio na barra, com o controle, MAIS um item novo (o capacete voador), músicas novas, além do que já devia vir da versão do DS.

Mesmo a série Mario Kart é marcada por inovações, sempre positivas a cada nova versão. O quê dizer de Mario Kart 7? Não há do que reclamar, é o de sempre, com novidades positivas que influem na mecânica do jogo. Me pergunto como conseguiram fazer algo tão incrível, de novo, em tão pouco tempo, com tanta pressão, que foi a crise dos primeiros meses do console.

Mas e agora em New Super Mario Bros 2. o quê veio de novo? Colecionar moedas. O quê você ganha com isso? Nada. Só o fato de saber que pegou 938439 moedas. Músicas? São as mesmas do Wii. Itens? Tem o Mario de ouro, não te dá nenhuma vantagem sobre os inimigos além de coletar mais... Moedas. Inimigos? Estou no quarto mundo e não achei nenhum novo ainda, ou não prestei atenção.

Acho que estão guardando o melhor pra versão do Wii U, e pelo que estão dizendo, é isso mesmo, o que me deixa contente, até porque New Super Mario Bros. 2 é sim um ótimo jogo, afinal, é mais do mesmo, mas mais do mesmo de Mario.

Definitivamente é um bom jogo, a reclamação mesmo fica por conta do tratamento do lançamento no Brasil (podia ser diferente?). Todos estavam animados pela Nintendo entrar no mercado de download dos jogos, todos aguardavam pra ver como ia ser no Brasil. Finalmente games de primeira linha iam sair a um preço justo (perdão ao trocadilho muito cretino). Poisé, o dia chegou e a versão pra download no E-Shop do 3DS saiu custando R$ 149,90.

A versão física do jogo sai por R$ 169,90 e ainda vem com uma moeda
pra colecionar. Narf!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

EU VOU VIVER A DEUS DARÁ!!!

Cansei da sociedade.
Pra quê trabalhar duro mais de 8 horas por dia pra poder viver 2 horas e dormir o resto que te sobra pra acordar novamente cansado para mais uma rotina dura de trabalho? Tudo isso para poder se sustentar? É necessário sustentar a sociedade dos ricos fazendo o jogo sujo deles para que tudo possa avançar? Pagar milhões de impostos, contabilizar tudo em programinhas idiotas?


Preciso sacrificar o meu tempo de vida a cada dia para que na economia global haja fundos para que um japonês invente uma nova tecnologia que permita que uma geladeira acesse a internet?
Precisamos disso?


Por menos que isso há gregos e troianos passando fome. Sério, os gregos estão falindo, e o resto do mundo com uma cara de Seu Barriga dizendo "PAGUE O ALUGUEL". Diabos, não é só perdoar a dívida deles e deixar aquele povo ser feliz? Afinal, você gostaria que perdoassem o que você deve não? Ok, que se dane, não sou economista, mas assim as coisas seriam bem mais fáceis, afinal, pra quê facilitar se dá pra complicar? Pois o tema disso é: buscar a simplicidade da vida.


DIRF, DIPJ, DPVAT, PQP, VTNC, VSF? Todas essas complicações inúteis do inferno que só inventaram simplesmente para complicar a vida que podia ser simples. Pra que tudo isso? Juros, Ano Fiscal, boleto, duplicata, todas palavras que cito por citar, que fazem parte do cotidiano, que não valem nada desde que o ser humano fosse simples, como os animais, que não tem conta no banco mas que encontram o que comer a cada dia.


Cansei. Convido a quem puder me ajudar, ir morar no campo, plantar e comer o que vier da terra, apenas para viver. Água vem do poço, energia elétrica? Já vivemos sem isso. Pela simplicidade da vida, que é certa que tem fim. Morte: a única certeza.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Crítica: S.W.A.T. - Comando Especial (2003)

O ano era 2003 e os Estados Unidos da América precisavam de alguma maneira manifestar seu poderio e supremacia sobre o resto do mundo, pois acabavam de sofrer um duro golpe em um dos seus símbolos econômicos e estava prestes a ingressar em uma guerra sem motivos (embora qualquer guerra não tenha motivo ou razão ou qualquer justificativa) contra o Iraque, apenas um plano do Hitler do século XXI, George Adolf Bush.

E uma das maneiras foi naquilo em que esta nação é especialista: o cinema. Um projeto da absolutamente comercial Columbia Pictures (da Sony) que consistia em um filme baseado na série homônima dos anos '80, que foi cancelada por excesso de violência. A série, como o próprio nome diz era sobre a equipe (melhor do mundo, segundo o filme) de elite do departamento de polícia de Los Angeles. S.W.A.T. (Special Weapons And Tatics) "Armas Especiais e Táticas".

O filme começa com uma equipe sendo chamada para impedir um assalto a banco em seu pleno andamento. Durante o resgate um dos integrantes da equipe, Brian Gamble (Jeremy Renner, de Guerra ao Terror), decide em questão de milésimos de segundos (como devem ser as atitudes de um membro da equipe numa situação de risco) disparar em um alvo, o acertando, porém atingindo também um refém. Não que o colocasse em qualquer risco de vida ou invalidez, mas o suficiente para gerar incomodações à corporação e ao Estado, no que esta vítima o processaria.

Daí conhecemos os personagens principais: o já citado Gamble e no que o filme tenta mostrar desde o começo ser seu amigo há muito tempo, Jim Street, (Colin Farrel, de Por Um Fio). Após o acontecido, são chamados por seu superior para reportarem o ocorrido, e o julgamento é dos mais hollywoodianos: o bonitinho fica e o feioso sai. Por este incidente, Gamble, não aceita e decide abandonar de vez a corporação e briga com Street por este não o acompanhar e decidir ficar, mesmo que rebaixado. Na discussão dos dois fica evidente a fragilidade do roteiro, decidido a qualquer custo mostrar que Gamble é muito malvado desde sempre e Street é o mocinho. Mocinho que logo retorna a equipe, com a entrada do Sargento Hondo, interpretado por Samuel L. Jackson. O veterano começa a montar uma nova equipe, onde também entram em cena também outros personagens, das quais apenas destaco Sanchez (Michelle Rodriguez fazendo o mesmo papel de Velozes e Furiosos, Resident Evil, Lost, ou qualquer outro que ela tenha feito, é sempre o mesmo),  personagem que, como todos os outros, não faz diferença nenhuma na história, como os mesmos membros de equipe caricatos e clichê de sempre: o fortão, o traíra, a gostosa, o bom moço, o paizão.

Após algumas missões bem sucedidas desta nova equipe, apenas para empolgar a platéia, surge o desafio que os ocupará até o final do filme. Alex Montel (Olivier Martinez, Infidelidade),  um mafioso bilionário procurado em mais de dez países, incluindo os Estados Unidos, decide ir pessoalmente até lá (notem a fragilidade do roteiro) para matar seu tio. Por quê um chefe de máfia, tão procurado, cruzaria o oceano, sozinho, apenas para fazer algo que um capanga poderia fazer? E ainda por cima é preso por dirigir com o farol apagado! Tudo se complica quando ele oferece via imprensa 100 milhões de dólares para qualquer um que o tirar de lá, aí entra a S.W.A.T., com musiquinha retrô e tudo.

Nem adianta tentar de novo Osama. Na próxima a gente te pega.
Após várias seqüências de ação com muito tiroteio, armas legais, explosões, aquele cara que desde o começo o roteiro já deixou bem claro que era mal e que ia voltar, ele mesmo, Gamble se une a Alex e o desfecho é uma empolgante corrida em busca do vilão e uma disputa entre os dois que antes eram amigos. Seguindo o manual hollywoodiano, o duelo final tem que ser no mano a mano, quando, após desarmar o seu inimigo, o mocinho também dispensa armas e vai de igual pra igual naquela lutinha que todo mundo sabe que só termina quando um é mais esperto que o outro e "puxa seu tapete" de alguma forma, como em Dia de Treinamento.

O filme ainda se dá o direito de arriscar uma crítica social, nem perto do que foi o nacional, e infinitamente superior "Tropa de Elite", em uma cena em que um policial negro prende um foragido negro, e uma mulher negra o repreende com algo como "-Isso mesmo! Prendendo o nosso irmão!", e o filme não pratica qualquer recurso pra dar um objetivo ou resposta do porquê daquilo.

O resultado final é apenas uma propaganda, que na época enganou muito bem, mas que pode sim ser uma boa diversão pipoca pra quem gosta de filme policial, tiroteio, armas, explosões, e a bela paisagem que é Los Angeles.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Desculpa esfarrapada

Quase 3 semanas parado, mas não há problema já que ninguém lê mesmo, mesmo assim venho me desculpar, estou escrevendo meu trabalho de conclusão do curso e as coisas estão corridas, e também não tenho tido muito assunto. Ontem foi meu aniversário e não há nenhuma novidade a se contar ou comentar além disso. Breve mais algumas lamentações em futuros textos.

Por hora, fiquem com essa imagem, a foto da coisa mais limpa, pura, bela, transparente e verdadeira, na (verdade a única por lá) encontrada nos últimos 60 anos em Brasília.


sexta-feira, 15 de julho de 2011

Crítica: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 (2011)



O grande final. Chega ao fim uma das maiores séries já concebida pelo cinema. A bilionária saga de Harry Potter, trazida até nós pela Warner, um dos mais bem sucedidos estúdios que na década passada nos trouxe a impecável triologia O Senhor dos Anéis e o sucesso de bilheteria Matrix, aposenta agora sua última galinha dos ovos de ouro. Vamos ter que aprender a viver sem aguardar a cada ano um novo capítulo da história. A história, que de um jeito ou de outro me conquistou, chega ao fim, da melhor maneira possível, quando corajosamente a autora, a britânica J.K. Rowling conseguiu nos fazer acreditar até o fim que tudo era possível, até mesmo a morte do herói.

Tudo começou no longínquo ano de 2001, quando Chris Columbus (Esqueçeram de Mim, 1990), pelo seu dom em ministrar atores infantis, foi o escolhido para dirigir “Harry Potter e a Pedra Filosofal” saído do livro homônimo escrito em 1997. A produção foi realizada com muito cuidado, criando toda a mitologia na tela, os cenários detalhados, conforme as extensas (e um tanto massantes) descrições descritas no livro, o original esporte “quadribol”, efeitos na medida e muita aventura e mistério, acertando em cheio ao chamar o compositor John Willians que, como sempre, criou a trilha marcante que ao ouvir as primeiras notas já sabemos de que filme se trata. Chris Columbus manteve a mesma qualidade no que é o meu filme favorito da série, “Harry Potter e a Câmara Secreta” (2002), que expande a mitologia, revela segredos e torna mais densa e profunda a relação herói-vilão da série. Em 2003, Alfonso Cuarón deixa sua marca dirigindo “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” no que foi a bilheteria mais fraca (não significa que foi pouco), introduzindo excelentes idéias não presentes no livro, mas retirando algumas partes importantes, numa tentativa da produção de enxugar o roteiro, mesmo assim o filme tem muita qualidade e apresenta Gary Oldman no interessantíssimo Sirius Black, o prisioneiro de Azkaban, a prisão dos bruxos. “Harry Potter e o Cálice de Fogo”: o bruxinho cresceu! Mike Newell assina a direção deste quarto filme, que contrasta o amadurecimento dos personagens, e a frieza da autora a matar um deles. David Yates assume apartir de 2007 e dirige a série até seu final, “Harry Potter e a Ordem da Fênix”, o mais fraco episódio, o sombrio “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” (2009), e a preparação para o arrebatador final “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” (2010). Eis que chegamos em Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2.

 “Não vamos fazer nenhum plano. Toda vez que fizemos não saiu como o planejado”

Direto ao ponto, o filme continua da onde parou, de maneira corrida, e o trio Harry (Daniel Radcliffe), Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson) invade corajosamente Gringots, o banco dos bruxos, buscando mais uma das sete horcruxes, um artefato caminho para a vitória sobre Lord Voldemort (Ralph Fiennes). Eis o ponto alto do filme. Harry agora está mais corajoso que nunca, e dá a cara a tapa, enfrenta Snape, Voldemort e quem mais for, tememos a cada momento pela vida de nossos heróis, nunca antes tão expostos e frágeis, vemos que o Voldemort não está para brincadeira, e muitos dos personagens que estávamos acostumados a ver interagindo na tela, aparecem mortos, são assassinados friamente, sem cerimônias. Mesmo a tão segura Hogwarts é impiedosamente punida, sendo cenário de uma batalha. Sentimos os perigos quando aquela que no primeiro filme foi considerada “o único lugar mais seguro que Gringots” por Ragrid (Robbie Coltrane). Pois bem, vemos os dois sendo destruídos. A aventura é de primeira, e é realmente muito divertido acompanhar o suspense e o medo de cada investida do trio em busca dos objetivos, e além de tudo, o lado cômico do filme está impecável, no momento certo sempre há uma frase, uma atitude engraçada, ou uma referência a algum momento anterior que nos arranca sinceros sorrisos do rosto, mantendo a alegria a cada momento do filme, por mais momentos sérios e profundos que hajam durante a projeção. Assim vale mesmo a pena ir ao cinema.

Voldemort, o lorde das trevas, firma-se mesmo com um dos mais cruéis e temíveis vilões do cinema, o qual temia-se até mesmo pronunciar o nome. A história contada acerta ao deixar muito do seu passado no esquecimento. Toda vez que sabemos de suas proezas, é algum flashback, alguma lembrança, algo contado, deixando sempre a sensação de que ainda não sabemos de tudo que ele fez, e nem saberemos. E realmente sua crueldade não tem limites. Em certo ponto do filme, Voldemort está tão irritado que assassina um de seus capangas simplesmente por lhe dirigir a palavra. Severus Snape (Allan Rickman) mais uma vez retorna interessante, personagem o qual nunca sabemos de que lado está. Sempre tão fiel, mas ao mesmo tempo tão traidor, agora ficamos sabemos de laços profundos dele com Harry.

Como em Toy Story 3 (2010), um grande acerto da produção foi a série foi acompanhar o envelhecimento de seu público. A história de Toy Story (1995) era voltada pra crianças, assim como Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001). Já Toy Story 3 foi feita nos padrões do presente daquelas mesmas crianças de 1995, hoje na faculdade, no trabalho, como Andy. Bem como Harry Potter e As Relíquias da Morte não é um filme para crianças. A classificação etária é de 14 anos, fosse assim em 2001 a série teria sido um fracasso. Mesmo assim, ainda há diversão para todas as idades, assim como romances, tão esperados, e talvez um pouco atrasados, mas considero que vieram no tempo certo, antes disso teria se tornado um mero melodrama para adolescentes.

Um dos pontos em que o filme deixa a desejar é um desenvolvimento maior dos coadjuvantes e, assim como em “O Enigma do Príncipe”, o pós-final. É pouco detalhado o destino que cada um dos tão amados personagens que tiveram nossa atenção nos últimos 10 anos, mas isso realmente tornaria a duração extensa demais. Mesmo assim ao final da projeção ainda fica nos reservado a sensação de que, assistindo novamente, é possível interpretar certos pontos e descobrir alguns segredos. A autora acerta novamente ao fugir do óbvio, o final em nenhum momento foi previsível. Até o último momento não tínhamos certeza se Harry iria ou não sobreviver, pois sim, J.K. Rowling era sim capaz de matá-lo.

De qualquer forma, um ótimo nível foi mantido a cada episódio, chegando viva a este último capítulo, que acabou sendo o melhor deles. As inserções de flashbacks são de arrepiar, e é de se parabenizar a produção. Momentos em que Harry era um bebê parecem terem sido filmados há 10 anos atrás, junto com “A Pedra Filosofal”, bem como a beleza da construção da paixão de Snape por Lilian Potter, a mãe de Harry. Assim também os efeitos visuais em raríssimos momentos deram na vista. Pudera, mais de oito empresas de efeitos de computação trabalharam no desenvolvimento. Destaque para o dragão branco, guarda de Gringots, que parecia real.

O resultado final é de que sim, valeu a pena. Não pude acompanhar Star Wars nem Indiana Jones, minhas séries favoritas, mas posso dizer que vivi, sofri e torci até o final pela luta contra aquele que não deve ser nomeado. A série de minha geração, tem um final que faz toda e qualquer falha anterior ser superada. Não é o melhor filme já feito. Nem é um filme perfeito, tem sim seus defeitos, mas pela experiência que me fez sentir e pela diversão proporcionada, valeu cada momento e posso afirmar que, pela emoção de aplaudir cada vitória conquistada na tela, foi a melhor sessão de cinema que já presenciei.


quarta-feira, 6 de julho de 2011

Clarisse

"Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha
E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Não existe nada p'rá mim, nem tente
Você não sabe nada e não entende
E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar p'rá casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta da esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo resistir
E voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem quatorze anos."

O que dizer quando Renato Russo já disse tudo?